Câmara promove Audiência Pública sobre futuro da Unidade Oncológica de Anápolis

por Geovana de Bortole publicado 14/06/2019 15h30, última modificação 17/06/2019 13h58
Câmara promove Audiência Pública sobre futuro da Unidade Oncológica de Anápolis

Câmara promove Audiência Pública sobre futuro da Unidade Oncológica de Anápolis

O futuro da unidade Oncológica de Anápolis Dr. Mauá Cavalcanti Sávio foi o tema do debate promovido pela Câmara Municipal de Anápolis na noite de quinta-feira (13.jun).

A preocupação com a atual situação do local motivou os vereadores Lélio Alvarenga (PSC), Thais Souza (PSL) e Pastor Elias Ferreira (PSDB) a realizarem esta audiência, que contou com a participação dos vereadores Wederson Lopes (PSC), Lisieux José Borges (PT), Deusmar Japão (PSL), Professora Geli (PT), do deputado estadual Amilton Filho (SD), de representantes do hospital, do Ministério Público, e diversas pessoas e familiares de pacientes que são atendidos no hospital.

Desde julho de 2018, a Secretaria Municipal de Saúde de Anápolis determinou que a Unidade Oncológica de Anápolis só poderia atender pacientes encaminhados pela própria secretaria e não mais diretamente, como era feito anteriormente, diminuindo o número de atendimentos, e gerando incerteza sobre a continuidade de funcionamento do Hospital na sociedade.

A vereadora Thais Souza disse que, como representante do Poder Legislativo, pretende levantar a discussão acerca do tema para salvar a unidade. “Os pacientes estão sendo prejudicados pela falta de regulação e de repasse de pacientes. Alguns dias, a unidade conta com médicos presentes, e não possui pacientes, enquanto há pessoas que aguardam o tratamento. Precisamos sincronizar isso com a regulação do município, que também está aberta para atender essa demanda e resolver esta questão da Unidade, que já salvou e continuará salvando muitas vidas”,

De acordo com o vereador Lélio Alvarenga, o debate foi realizado para encontrar uma solução para o local. O parlamentar comentou que a cidade atende 1145 pessoas pactuadas da cidade e está lutando para que a unidade se torne uma Unidade de Alta Complexidade de Atendimento ao Câncer (Unacon).  “Temos o objetivo de fazer um hospital ainda mais amplo para atender a população da cidade e de todo o Brasil. Conversei com o Prefeito Roberto Naves e com o Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, sobre esse projeto e sabemos que temos o potencial para isso. Precisamos atender as demandas. Em pesquisa realizada pela Organização Mundial de Saúde, teremos 50% da população com possibilidade de ter câncer em 2015. Precisamos nos aparelhar, nos prevenir e estar preparados para quando chegar este momento. Anápolis merece um atendimento digno”,  

Diretor Clínico da Unidade, João Beltrão contou que a real situação do hospital está longe de ser a ideal. “Houve diminuição de encaminhamento de pacientes, já que a diretriz do Ministério da Saúde encaminha esses pacientes diretamente para a Unacon, que funciona no Hospital Evangélico. Por enquanto ainda não afetou muito o trabalho, pois temos um número de pacientes muito grande”, explicou.

De acordo com Lei Federal, todos os pacientes que descobrem serem portadores da doença tem o direito de iniciar o tratamento em até 60 dias. Beltrão falou ainda que a demanda de pacientes é muito grande, e os atendimentos da cidade são não suficientes para acolher a todos.  “O ideal não é fechar serviço, e sim gerar cada vez mais atendimento para a patologia, que é muito complexa. Com a totalidade de atendimentos que temos atualmente não é suficiente para atender todos os pacientes. A população depende da unidade. O ideal é que esta unidade continue funcionando, por via legal. Precisamos encontrar soluções”, pontuou.

Durante os debates, a população teve oportunidade de expor suas dúvidas, fazer propostas e pedidos. Muitos pacientes contaram sobre suas experiências de tratamento no hospital. Este é o caso de Eugênia Aparecida Rosa, paciente desde 2015. Muito emocionada, ela contou que tem muito medo que a Unidade encerre as atividades. “O Hospital para mim é como se fosse minha família. O tratamento é diferenciado. O paciente é tratado com respeito. Tenho atendimento com psicólogo, nutricionista, além das amizades que fazemos. Muitas pessoas chegam ali não tem o que comer. Muitos voluntários ajudam. Alguns recebem suplementos, remédios e até cesta básica. Espero que o Ministério Público veja o diferencial no tratamento. Esperamos uma solução e estamos lutando pelas pessoas que necessitam”, disse.

O promotor de Justiça do Ministério Público, Luís Fernando Ferreira de Abreu, disse que pretende encontrar uma solução prontamente. “Tentamos zelar pela saúde da cidade. Quando assumi o cargo, há cerca de um mês, fiquei muito preocupado diante da situação, pois a unidade é o único que realiza tratamento radiológico na cidade. Vamos encontrar uma maneira legal de resolver o problema”, concluiu.

No final da audiência, o vereador Lélio Alvarenga disse que vai batalhar por um Termo de Ajuste de Conduta (TAC).. "Esta seria uma solução a curto prazo, mas estamos pensando no futuro também, e vamos lutar por um Hospital de Atendimento ao Câncer na cidade. Também propus deixar um guichê específico na regulação para atender os pacientes com câncer e diagnóstico. Caso não resolva o problema, vamos realizar outra audiência pública", finalizou o parlamentar.

Foto: Ismael Vieira