Audiência pública debate o impacto da PEC 3548 para professores da rede estadual

por Marcos Vieira publicado 24/04/2017 09h44, última modificação 24/04/2017 09h44
Audiência pública debate o impacto da PEC 3548 para professores da rede estadual

Audiência pública debate o impacto da PEC 3548 para professores da rede estadual

Uma audiência pública realizada na quinta-feira (20.abr), na Câmara Municipal, reuniu professores e membros do Sintego (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás) para debater o impacto da PEC 3548 para a categoria, além de levantar as principais demandas do ensino público estadual em Anápolis.

Propositora da audiência, a vereadora Professora Geli Sanches (PT) informou que o evento surgiu a partir de uma reunião de professores e sindicalistas com a Comissão de Educação, no qual ela é presidente. Um dos compromissos assumidos com a categoria também foi uma Moção de Apelo, aprovada em plenário e encaminhada aos deputados estaduais.

“Os professores nos solicitaram que a Câmara Municipal se manifestasse por meio de uma Moção de Apelo aos deputados, para que eles pudessem votar contrários à PEC da Maldade, a 3548, que propõe o congelamento dos salários do servidor público por dez anos”, disse Geli.

A Moção de Apelo foi aprovada em plenário por todos os vereadores presentes e encaminhada aos parlamentares, em Goiânia, mas um deles não quis receber o documento, o deputado Victor Priori (PSDB). Segundo a vereadora Professora Geli, as reivindicações surgidas na audiência pública também terão encaminhamentos.

Geli frisou que os professores estão insatisfeitos. “A reposição salarial não aconteceu e as condições de trabalho são inadequadas. Alguns colégios em Anápolis não tem sede própria, outros estão em prédios emprestados e há também os que funcionam em prédios sem condições para alunos e professores”, denunciou a vereadora.

Professora Geli falou ainda em falta de autonomia nas escolas. Segundo ela, um diretor que havia sido convidado para a audiência não pôde comparecer porque tinha que ir ao Fórum de Anápolis, responder a um processo surgido a partir de questões disciplinares do colégio onde trabalha. “Se há uma exigência maior quanto à disciplina nas unidades escolares, é preciso dar suporte aos profissionais”, comentou a vereadora.

O presidente do Sintego, José Natal, disse que a PEC 3548 retira direitos dos professores, como quinquênio e licença prêmio. Além disso, segundo ele, desde 2016 o governo estadual não dá reajuste à categoria. “Englobando os dois anos de data-base, chegamos a 19% a menos em nossos salários”, explicou.

José Natal falou ainda que o Sintego tentou negociar de forma “menos agressiva” com o governo, mas não teve êxito. “No presente momento temos nove escolas paralisadas [em Anápolis] e vamos ficar de prontidão na Assembleia Legislativa, pressionando para que os nossos deputados não votem a PEC como está sendo negociada”, ressaltou o presidente do Sintego. “Nenhum direito a menos para o trabalhador da educação”, concluiu.

A audiência pública contou com a presença também do vereador Fernando Paiva (PTN) e do diretor do IFG Anápolis, Ewerton Rodrigo Gassi.