Audiência proposta pela vereadora Professora Geli discute tratamento oncológico em Anápolis

por Marcos Vieira publicado 17/10/2017 08h55, última modificação 17/10/2017 08h55

Uma audiência pública realizada na noite desta segunda-feira (16.out), por iniciativa da vereadora Professora Geli Sanches (PT), reuniu especialistas para discutir o tratamento do câncer em Anápolis.

A necessidade do encontro foi constatada a partir de um envolvimento da vereadora Professora Geli com a Associação dos Voluntários de Anápolis de Apoio ao Paciente com Câncer (Avapec).

“Fizemos uma caminhada muito grande em todos os lugares que tem atendimento. Fomos conhecer como é o tratamento oncológico aqui na cidade. Aprendi muito, ouvi muito e me propus a realizar um debate amplo sobre o tema”, explicou Geli.

Segundo a vereadora, o que ela viu lhe preocupou muito. “Há boa vontade, há discurso e uma forma bonita [de tratar o assunto], mas isso ainda não está chegando às pessoas”, explicou Geli. A audiência, então, reuniu partes diferentes do processo para que o atendimento efetivamente chegue ao paciente, e de forma rápida.

Professora Geli disse que além de faltar informação, há também pouca ação no sentido de que o paciente com câncer tenha primazia no atendimento. O diagnóstico precoce – e consequentemente o atendimento com rapidez – são responsáveis pelo sucesso na cura.

Essa rapidez no atendimento também foi defendida pelo presidente do Núcleo Esperança, Válber Barreto, que também coordena a Avapec. Segundo ele, o paciente com câncer não poderia passar pela regulação da Secretaria Municipal de Saúde, tendo de fato prioridade no atendimento na rede pública.

Válber explicou que a Avapec nasceu de um grupo de pessoas realmente interessadas em discutir o tratamento oncológico em Anápolis, uma cidade polo que é responsável por receber pacientes de 59 municípios, o que soma mais de 1 milhão de habitantes.

Válber Barreto frisou que não se cura câncer no Brasil sozinho, ou seja, é fundamental a participação de entidades que reúnem voluntários. “Precisamos da sociedade civil organizada, precisamos do poder público, precisamos das instituições que fazem o tratamento em si”.

O médico mastologista João Bosco Machado da Silveira, da Unidade Oncológica de Anápolis, também que disse que por essa característica regional de Anápolis, é preciso atenção do poder público para que a rede funcione com rapidez. “Trata-se muito bem aqui, temos condições iguais a qualquer grande centro, mas há as dificuldades inerentes do tratamento do SUS, que vai desde a consulta, exames e tratamento em si, pois se perde muito tempo”, explicou.

João Bosco ressaltou a importância das campanhas de prevenção, como o Outubro Rosa, de câncer de mama, e o Novembro Azul, voltado ao câncer de próstata. “É preciso alertar a população em relação ao diagnóstico precoce, que é quando se consegue salvar vidas, na maioria das vezes”. De acordo com o médico, o câncer é uma realidade, é a segunda doença que mais mata no mundo e tende a crescer devido ao aumento da expectativa de vida das pessoas. “Como estamos vivendo mais, há mais riscos”.

Representante da secretária municipal de Saúde, Luzia Cordeiro, na audiência, a advogada Gisele Vaz Rocha ouviu todas as explanações, respondeu questionamentos e falou sobre a Portaria 140/2014, do Ministério da Saúde, que habilita estabelecimentos de saúde como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) e Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon).

Estiveram presentes na audiência pública os vereadores Lélio Alvarenga (PSC) e Elinner Rosa (PMDB), e o diretor-administrativo do Instituto Onco-Hematológico de Anápolis, Eli Rosa.

Ao final do encontro, a vereadora Professora Geli apresentou alguns encaminhamentos:

1) Realização de novo encontro, no formato de mesa redonda, com a presença de especialistas.

2) Encaminhar documentos relativos à audiência pública à imprensa.

3) Solicitar o plano de trabalho aos hospitais de Anápolis credenciados como Unacon.

4) Solicitar ao prefeito que inclua no centro pediátrico, em construção, uma estrutura para diagnóstico de câncer infantil.

5) Criação de uma cartilha com informações sobre atendimento de câncer em Anápolis.

6) Rever a lei municipal 3921/2017, que institui medidas no sentido de iniciar o tratamento de câncer no sistema municipal de saúde de Anápolis.

7) Buscar ajuda pública à Casa Amparo, instituição que acolhe pacientes de diversos municípios que buscam tratamento em Anápolis.