“Problema do Sisreg está além da questão de agendamento de consultas”, diz diretor de Regulação

por Fernanda Morais publicado 22/05/2018 16h25, última modificação 22/05/2018 16h27
“Problema do Sisreg está além da questão de agendamento de consultas”, diz diretor de Regulação

“Problema do Sisreg está além da questão de agendamento de consultas”, diz diretor de Regulação

Foto: Ismael Vieira

A convite do vereador Jakson Charles (PSB), líder do prefeito Roberto Naves (PTB), na Câmara Municipal, o diretor  municipal de Vigilância e Controle em Saúde, Daniane Marinho participou da sessão ordinária desta terça-feira (22.mai). Daniane esclareceu as dúvidas dos parlamentares em relação as dificuldades que os usuários do SUS estão encontrando para o agendamento de exames, consultas e cirurgias.

Daniane explicou que o Sisreg é o sistema on-line do Ministério da Saúde, criado para o gerenciamento de todo complexo regulatório, indo da rede básica a internação hospitalar, visando a humanização dos serviços, maior controle do fluxo e otimização na utilização dos recursos.

“Portanto, os problemas do Sisreg vão além da questão do agendamento de cirurgias e exames médicos. A compreensão que a população tem do sistema é muito restrita. As complicações na regulação não são méritos apenas de Anápolis”, disse.

De acordo com Daniane, a Secretaria Municipal de Saúde busca respostas e soluções junto ao Governo Federal para a normalização no serviço que passa por atualização, daí o seu comprometimento.

“Em Anápolis a regulação funciona, emboras nesse momento temos o problema do sistema on-line a nível nacional. A dificuldade que temos, e é difícil de resolver é com a oferta dos serviços de saúde que prejudica o processo regulatório”, comentou o diretor.

A exemplo da colocação, Daniane citou que se um clínico geral encaminha uma criança para o cardiopediatra, é difícil conseguir atendimento pelo SUS porque aqui em Anápolis não tem o profissional disponível credenciado pela rede. “Ou seja, temos condições de oferecer o serviço, mas não temos o profissional para o atendimento”, acrescentou.

Daniane disse que há 52 dias está responsável pela Regulação. Nesse tempo ele conseguiu fazer um levantamento das dificuldades do departamento e elaborou um diagnóstico da realidade do município. O diretor deixou uma cópia do estudo com o presidente da Câmara, Amilton Filho (SD) e com o presidente da Comissão de Saúde da Casa, vereador Lélio Alvarenga (PSC).

“Peço que os demais vereadores façam uma cópia, conheçam os problemas e nos ajudem a buscar soluções para resolvê-los”, disse.

Daniane disse que enquanto o Ministério da Saúde não atualiza o sistema on-line de regulação, a Prefeitura de Anápolis criou uma força tarefa com 60 profissionais que atuarão, exclusivamente nessa área. São 30 servidores e 30 estagiários que, após um processo de capacitação, vão trabalhar nas unidades de saúde e na Central de Regulação. Cada unidade de saúde contatá com uma pessoa exclusivamente para o agendamento de exames e consultas, conforme a demanda chegar.

Caso o funcionário na unidade não consiga o agendamento, o pedido segue para a Central que já está funcionando em regime de plantão, pois os únicos horários que o Sisreg funciona são fora do expediente comercial, ou seja, madrugada e finais de semana.

 UTI’s

Daniane Marinho também falou sobre a questão dos leitos de UTI’s disponíveis no município. Segundo ele, Anápolis é pactuado com dez cidades, mas é referência na busca de atendimento de pelo menos 72 outros municípios.

 “A cidade tem 49 leitos de UTI’s, dos quais 21 são adultos, e os demais são pediátricos e neonatal. Regular essas vagas é bastante complexo. O leito não é da Prefeitura é do Ministério da Saúde. Assim temos 49 leitos e uma população de mais de um milhão de pessoas dependentes dessa disponibilidade”, lamentou.

Daniane disse ainda que está realizando estudos e projetos para disponibilizar pelo menos mais dez leitos de UTI’s na cidade. “Seriam 10 adultos, 5 pediátricos e mais 5 neonatal. Não sei em quanto tempo será possível disponibilizar esses novos leitos, mas estamos trabalhando para tornar realidade. Não vai resolver o problema nem de longe, mas vai melhorar a cobertura”, acredita.

Por fim, o diretor de regulação informou que para a área de cobertura de Saúde, Anápolis precisaria ter pelo menos menos 130 leitos de UTI’s. “Estamos bem distantes disso. O Estudo que realizamos também mostra que no geral o município tem o déficit de pelo menos 570 leitos para atender a demanda de pacientes que tem a cidade como referência no atendimento a saúde pública”, concluiu.